Não leva muita fé no que digo? Vamos exemplificar as coisas.
Começando pela Música, o exemplo mais veemente. Ligue o rádio agora, nesse exato instante. Só há três opções e somente três opções de canções a estarem sendo transmitidas:
- O sucesso internacional, cujo clip (ou devo dizer vídeo semipornô?) é constantemente exibido na MTV. Ninguém que o ouve entende a letra, deixam-se levar apenas pela "batida diferente" que na verdade é sempre igual.
- A mais nova sensação do MC fulano e derivados, sempre com uma voz tão afinada quanto uma sirene com defeito, berrando cantando ao som de panelas e murros em latas. Musicalidade tão agradável e diversificada quanto a acima descrita. E a letra, das duas uma: uma infinitude de palavrões fazendo apologia à criminalidade, ou romantismo chulo ("vem tchutchuca, quero tebeijar todinha"), sempre, é claro, prezando muito a concordância.
- O tema do par romântico da novela da globo, que fez famosa a sua intérprete, cuja voz é cuidadosamente modificada no computador até se tornar algo ao menos aceitável. Nem tanto, afinal, é a música da novela, que importa a voz da mulher não é mesmo? Devo acrescentar que provavelmente essa mulher não compôs a canção, seu CD é campeão de vendas e pirataria somente por causa desta música e que o término da novela significa o fim das suas idas ao Faustão e ao caldeirão do Hulck.
Pergunte às pessoas na rua quanto a seus gostos musicais. As opções acima serão citadas com afinco.
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O texto ficou maior do que eu esperava. Caso o mesmo seja bem visto por vocês leitores, prossigo em outro post com Literatura. Ainda pretendo conceituar mais o tema, ao fim dos exemplos. E, por favor, se por ventura acredita que um dos modelos de deturpação sonora pode ser considerado Música, prefiro que não volte aqui.

