quinta-feira, 6 de março de 2008

Qualidade versus Fama

O mundo é constituído de diversos opostos. Homem; mulher, luz; trevas, céu; mar e muitos outros. E então, como reflexo do mundo moderno, eis que surge agora um dos mais fluentes: Qualidade e fama.

Não leva muita fé no que digo? Vamos exemplificar as coisas.

Começando pela Música, o exemplo mais veemente. Ligue o rádio agora, nesse exato instante. Só há três opções e somente três opções de canções a estarem sendo transmitidas:

  • O sucesso internacional, cujo clip (ou devo dizer vídeo semipornô?) é constantemente exibido na MTV. Ninguém que o ouve entende a letra, deixam-se levar apenas pela "batida diferente" que na verdade é sempre igual.

  • A mais nova sensação do MC fulano e derivados, sempre com uma voz tão afinada quanto uma sirene com defeito, berrando cantando ao som de panelas e murros em latas. Musicalidade tão agradável e diversificada quanto a acima descrita. E a letra, das duas uma: uma infinitude de palavrões fazendo apologia à criminalidade, ou romantismo chulo ("vem tchutchuca, quero tebeijar todinha"), sempre, é claro, prezando muito a concordância.

  • O tema do par romântico da novela da globo, que fez famosa a sua intérprete, cuja voz é cuidadosamente modificada no computador até se tornar algo ao menos aceitável. Nem tanto, afinal, é a música da novela, que importa a voz da mulher não é mesmo? Devo acrescentar que provavelmente essa mulher não compôs a canção, seu CD é campeão de vendas e pirataria somente por causa desta música e que o término da novela significa o fim das suas idas ao Faustão e ao caldeirão do Hulck.

Pergunte às pessoas na rua quanto a seus gostos musicais. As opções acima serão citadas com afinco.
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O texto ficou maior do que eu esperava. Caso o mesmo seja bem visto por vocês leitores, prossigo em outro post com Literatura. Ainda pretendo conceituar mais o tema, ao fim dos exemplos. E, por favor, se por ventura acredita que um dos modelos de deturpação sonora pode ser considerado Música, prefiro que não volte aqui.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Um retrato da juventude


Salinger já demonstrara ter uma sagacidade incontestável pra lidar com assuntos referentes à crise de indentidade no perído que sucede a infância. O apanhador não é um exemplo único disso, grande parte de seus livros já publicados abordam esse mesmo tema.

Posso dizer que O apanhador no campo de centeio é um dos melhores livros que já li. Um dos critérios que sempre utilizo para tal condecoração (além do enredo de maneira geral) é o personagem protagonista. E Holden Caulfield, pra mim, é fabuloso. Concordava, muitas vezes, com a sua visão irreverente em relação a todo o meio que o circundava. Me encantava a maneira como ele lidava com as situações a que era submetido. A propósito, um dos pontos mais interessantes da história é essa compatibilidade com a realidade de muitos jovens. Grande parte destes, certamente, já vivenciou diversas situações similares às que Holden se envolve ao longo do livro. Eu por exemplo me indentifico com algumas.

Algo que me fascinou muito também foi a forma perspicaz com que o autor lida com palavras simples pra tornar a narração envolvente e facilmente compreensível simultaneamente. É a prova de que um texto hermético não é sinônimo de qualidade literária.

O apanhador no campor de centeio, vale a pena conferir. Apanhe logo o seu!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Conceituando 'Igreja'

O conceito de Igreja tem sido muito difamado e contraditório na sociedade contemporânea. O sentido bíblico da palavra me parece claro: "união de pessoas". Ou seja, uma união espiritual de amor mútuo entre os irmãos de determinada entidade religiosa. Então, esse conceito original nos sugere que um membro da igreja não precisa necessariamente frequentar uma mera construção onde dezenas de pessoas se sentam pra estarem próximas a Deus. Afinal, ele não está em toda parte?

No entanto, tem sido cada vez mais comum frases do tipo "Por que não tem ido à igreja?", "Você precisa ir à igreja". Ora, se o conceito verdadeiro de igreja nos remete a uma idéia de união, como seria possível recorrer a tais questionamentos e afirmações?

A idéia de afeição e igualdade dentro de um corpo cristão tem sido posta à deriva, deixada de lado. Se Deus existe¹, ele não escolheria um interlocutor a cada esquina. O que quero dizer é que a própria bíblia nos faz crer que todos são iguais perante a Deus e que qualquer um detém a capacidade de se comunicar com ele. Um pastor, padre (ou figura representativa que o valha) não está acima de ninguém e não possui o direito de interceder por membros de uma igreja ou lhes impor obrigações para com um reles templo de quatro paredes.

Para aqueles que tem essa fé, não condeno plenamente a igreja, só acredito que o ideal seria o fim desse medo cristão, a quebra desse alicerce com as doutrinas meramente institucionais e a semeação da liberdade para cada ser seguir aquilo que acredita à sua bel maneira, prezando a união e a dita fé em primeiro lugar, sobrepondo isso à imposição de dogmas às custas desse medo.


¹ Não quero dizer que sou ateu, a propósito, prefiro manter essa informação incógnita

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A Música agradece



Há exatamente cinquenta anos atrás (sem contar com os meses) surgia, aqui no Brasil, uma variação de samba que mais tarde se tornaria um dos ritmos mais aclamados no Brasil e no mundo: a Bossa Nova. Por esse motivo, faço essa pequena e humilde homenagem aos seus grandiosos cinquenta anos de existência.

Antes de mais nada, confesso que sou leigo no assunto, embora eu reconheça toda a maestria desse ritmo que me cativou desde o primeiro contato. Também não é o meu tipo de música predileto, sempre me encantou e sempre me encantará o bom e velho rock n' roll.

A Bossa Nova, no início, era tida como música de elite, algo para cultos e afins. Mas existiu alguém mais boêmio que Vinicius de Moraes? Seus dias de vadiagem lhe renderam belíssimas canções. Canções estas que sacramentaram este belíssimo músico (e poeta) como um dos reis da Bossa Nova. E a consagração desse estilo está inteiramente ligada à sua popularização, que se mostrou presente mais tarde, ganhando adesão de variadas camadas populares.

Portanto, Bossa Nova, por toda a sua beleza, sua leveza, por toda a sua poesia, seu encanto, por toda a sua contribuição, por todas as suas melodias que choram, que cantam e que fizeram de você um fenômeno internacional, a Música agradece.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Início

Eu convivo com um problema sério: auto-crítica pessimista. Claramente falando, eu detesto tudo que escrevo, geralmente. Meus maiores temores se confirmarão no dia em que descobrir que isso não é um problema, e sim um fato. Pra chegar a esse ponto eu preciso arriscar.

Portanto, aqui, o início de mais um blog, dessa vez um pouco diferente. Tentarei escrever de uma maneira mais natural, dispensando o requinte quando não adequado e expressando tudo aquilo que realmente condiz com o que sinto. Tudo que me agrada ou não, desde que seja sincero. Buscando forças pra enfrentar a frequente conturbação que é a minha mente, vou vivendo e tentando buscar inspiração.

Mas talvez eu não devesse me procupar tanto com isso, afinal, se escrever é prazeroso pra mim, de que me importa a não-aprovação de muitos? Talvez eu receba elogios também.

Enfim, assuntos diversos estarão em pauta, tais como: literatura, cinema, música, ciência, fanatismo religioso e outros, além da publicação de crônicas e contos de minha autoria.

Deleite-se, ou não.